As palavras são as teias que nos prenderam e envolveram numa espécie de baloiço em suspenso, no vácuo das nossas vidas. Com elas criámos os laços com que nos abraçamos. É às palavras que devemos a razão da nossa história, a mesma que hoje, passados alguns anos, celebramos sem as grandes euforias do início, mas com a serenidade que ganhamos ao longo do tempo e que se traduz na ternura de um sentimento maduro.Sem elas, não saberíamos das nossas existências nem as mesmas se teriam cruzado naquele dia. E, mais importante do que tudo, jamais teríamos provado o sabor que tem um novo sentido da vida. A vida que partilhamos lado a lado, ainda que a distância nos separe no dia a dia...
De vez em quando, chegava uma encomenda vinda de Lisboa. Os olhos brilhavam e no peito crescia uma frenética vontade de a abrir e descobrir o que vinha lá dentro. Normalmente eram frasquinhos
pequeninos de perfume, caixinhas redondas com um pó avermelhado, colares e outras quinquilharias com cheiro de cidade.
Mas daquela vez, lá no fundo de tudo, estava uma boneca lindíssima de cabelos cor de ferrugem e olhos verdes. O que senti, foi um misto de emoções indizíveis. Lembro-me que naquele dia, o meu corpo foi pequeno demais para mim, visto que quase não me cabia... de tamanho
contentamento!
Este texto foi escrito para o concurso "imagens da nossa memória, do site EscritArtes. (Só eram permitidos 600 caracteres).
pequeninos de perfume, caixinhas redondas com um pó avermelhado, colares e outras quinquilharias com cheiro de cidade.
Mas daquela vez, lá no fundo de tudo, estava uma boneca lindíssima de cabelos cor de ferrugem e olhos verdes. O que senti, foi um misto de emoções indizíveis. Lembro-me que naquele dia, o meu corpo foi pequeno demais para mim, visto que quase não me cabia... de tamanho
contentamento!
Este texto foi escrito para o concurso "imagens da nossa memória, do site EscritArtes. (Só eram permitidos 600 caracteres).
São imagens esbatidas, meio apagadas,
como aquelas fotografias antigas e
enclausuradas em molduras de metal como
se fossem grades de uma prisão perpétua.
Ainda assim, conseguem manter a pose
permanecendo orgulhosamente silenciosas
e indiferentes ao relógio de pêndulo que
as fita num desdém insolente lá do canto
oposto da sala e cujos ponteiros há muito
que passaram a rodar no sentido contrário,
marcando as horas que já foram... são
rostos calados, com sorrisos forçados pela
urgência do momento, segurando
insistentemente um instante que as havia
de suspender no tempo, devolvendo-as à
posteridade
como aquelas fotografias antigas e
enclausuradas em molduras de metal como
se fossem grades de uma prisão perpétua.
Ainda assim, conseguem manter a pose
permanecendo orgulhosamente silenciosas
e indiferentes ao relógio de pêndulo que
as fita num desdém insolente lá do canto
oposto da sala e cujos ponteiros há muito
que passaram a rodar no sentido contrário,
marcando as horas que já foram... são
rostos calados, com sorrisos forçados pela
urgência do momento, segurando
insistentemente um instante que as havia
de suspender no tempo, devolvendo-as à
posteridade
Deveria ser Dezembro, não sei ao certo. Mal pus o pé na rua o meu rosto encheu-se de espanto... nunca tal tinha visto! A rua estava toda vestida de branco, parecia que alguém a tinha polvilhado de açúcar. Tinha nevado na minha aldeia, coisa rara de se ver por aquelas bandas, pois que nos meus quatro anos de vida era a primeira vez que acontecia tamanha fortuna para deleite dos meus pequenos olhos tomados pelo encanto daquele instante tão emocionante e belo, que guardo até hoje na prateleira mais valiosa da minha memória.
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